
Theo e o Vale dos Dinossauros
Theo e o Vale dos Dinossauros
Um livro feito para Theo
Theo adora dinossauros e adora pedalar na sua bicicleta vermelha. Um dia, um túnel de folhas no fundo do quintal o leva até um vale cheio de dinossauros amigos, onde um filhotinho perdido precisa muito de ajuda. Será que um coração pequenininho consegue guardar uma coragem do tamanho de um dinossauro?
Theo adora dinossauros. Ele tem dinossauro na camiseta, dinossauro no travesseiro e um dinossauro de pelúcia chamado Rugido. Mas tem uma coisa que Theo adora quase tanto: a sua bicicleta vermelha! Trim-trim, faz a campainha. Zum-zum, fazem as rodinhas. "Hoje eu vou longe!", diz Theo, apertando o capacete com um sorriso enorme.

Lá no fundo do quintal, onde as samambaias crescem bem altas, Theo vê um túnel de folhas que nunca tinha visto. Cheira a terra molhada e a chuva. Shhh, fazem as folhas. Theo pedala, pedala... e do outro lado aparece um vale enorme, com montanhas azuis e árvores gigantes. "Uau!", sussurra Theo. "Um vale de dinossauros!"

Perto de uma pedra redonda, alguém está chorando: snif, snif. É um dinossaurinho verde, com bolinhas laranja e três chifrinhos. "Eu sou o Pipo", ele funga. "Me perdi da minha mamãe. Ela tem o pescoço mais comprido do vale." Theo sente um friozinho na barriga. O vale é tão grande! Mas ele estende a mão. "Eu te ajudo, Pipo."

Pipo pula na cestinha da bicicleta. Ploft! "Segura firme!", diz Theo. E lá vão eles pelo caminho de terra. Logo aparece uma poça de lama, bem marrom e bem funda. Theo respira fundo e diz baixinho: "Pé no pedal, olho no caminho, coragem cabe num coração pequenininho!" Splash! A lama voa para todo lado, e Pipo dá risada.

Depois vem um capim tão alto que faz cócegas no nariz. De repente: RRRONC! RRRONC! O chão treme. Pipo se encolhe. Theo afasta o capim com cuidado... e vê um dinossauro enorme, com placas nas costas, dormindo e roncando! Theo ri baixinho. "Era só um ronco!" Empurrando a bicicleta, os dois passam devagarinho, na pontinha dos pés.

Finalmente, eles chegam ao topo de um morro. Lá embaixo, depois de um riachinho, um pescoço comprido balança entre as árvores. "Mamãe!", grita Pipo. Mas, para chegar lá, é preciso descer a ladeira mais inclinada do mundo e atravessar uma ponte de madeira estreitinha. Os joelhos de Theo tremem. Tum-tum-tum, faz o coração dele.

Theo olha para trás. O caminho de volta parece tão bom, tão conhecido. "E se eu cair?", pensa ele. Pipo encosta a cabecinha no braço de Theo. Não diz nada. Só olha para a mamãe lá longe, com os olhinhos molhados. O vento sopra, fiuuu. Theo aperta o guidão com força. Ele está com medo. Mas pensa no Pipo.

Theo ajeita o capacete. Coloca Pipo bem seguro na cestinha. Respira fundo, bem fundo. "Pé no pedal, olho no caminho, coragem cabe num coração pequenininho!" E Theo decide: vai descer! Vuuuuum! A bicicleta desce o morro, o vento assobia nas orelhas, e Pipo grita: "Uhuuul!" Theo aperta o freio de mansinho, do jeitinho que aprendeu.

Lá embaixo, a ponte de madeira espera. Crec, crec, fazem as tábuas. A água do riacho borbulha: glub, glub. Theo quer olhar para baixo, mas olha para a frente. "Pé no pedal, olho no caminho..." Uma pedalada, depois outra. Crec, crec... e pronto! Do outro lado! "Você conseguiu, Theo!", comemora Pipo, balançando o rabinho.

Então as árvores se abrem, e aparece a Mamãe Pescoçuda, alta como um prédio, lilás com pintinhas amarelas. "PIPO!" Ela abaixa o pescoço comprido até o chão, e Pipo pula da cestinha direto para o abraço dela. Smack, smack, beijos de dinossauro! "Obrigada, menino corajoso", diz ela, com uma voz macia como travesseiro.

O céu fica cor de laranja. Mamãe Pescoçuda e Pipo levam Theo de volta até o túnel de folhas. Pipo entrega a Theo uma folhinha de samambaia em forma de coração. "Você volta para brincar?" "Volto!", promete Theo, guardando a folha na cestinha. Trim-trim, faz a campainha. Tchau, tchau, Pipo! Tchau, tchau, vale dos dinossauros!

De noite, Theo está na cama com o Rugido e a folhinha de coração no travesseiro. Lá fora, a bicicleta vermelha descansa, ainda sujinha de lama. Theo boceja e sussurra: "Pé no pedal, olho no caminho, coragem cabe num coração pequenininho." E dorme sonhando com um vale cheio de dinossauros amigos. Ronc... ronc... boa noite, Theo.
