
Sofia e a Renazinha Faísca
Sofia e a Renazinha Faísca
Um livro feito para Sofia
Na véspera de Natal, um sininho toca no quintal de Sofia, e quem aparece é Faísca, uma renazinha perdida que perdeu o brilho e não consegue mais voar. Com seu cachorro Pipoca e seus gizes coloridos, Sofia vai descobrir que um coração quentinho pode iluminar o céu inteiro. Uma aventura mágica sobre amizade, para ler juntinho antes de dormir.
Sofia adorava desenhar. Com seus gizes coloridos, ela fazia sóis sorridentes, flores gigantes e, principalmente, o Pipoca, seu cachorro peludo cor de creme. Na véspera de Natal, a casa cheirava a biscoito de canela, e a árvore piscava: pisca, pisca. “Fica paradinho, Pipoca!”, pediu Sofia. Mas o Pipoca abanou o rabo, lambeu o nariz dela, e o desenho ganhou uma orelha torta. Os dois riram juntos.

Quando a noite chegou, quentinha e cheia de estrelas, Sofia estava quase dormindo no tapete. De repente, lá fora: plim, plim, plim! Um sininho! O Pipoca levantou as orelhas. “Au! Au!” Sofia correu até a janela. No quintal, perto da goiabeira, alguma coisa se mexia entre as folhas e brilhava fraquinho, como um vaga-lume cansado. “Vamos ver, Pipoca?”

Na ponta dos pés, Sofia e Pipoca atravessaram a grama fresquinha. Escondido atrás da goiabeira, havia um filhote de rena! Ele tinha pelo marrom e macio, chifrinhos prateados e um sininho dourado no pescoço. Seus olhos estavam molhados. “Oi, eu sou a Sofia. E esse é o Pipoca”, disse ela bem baixinho. A rena fungou. “Eu sou o Faísca... e estou perdido.”

Faísca contou que voava com as renas grandes, puxando o trenó do Papai Noel. Mas ficou para trás, olhando as luzes da cidade, e caiu ali. “Meus chifres só brilham quando meu coração está quentinho”, explicou. “E sem brilho, eu não voo.” Sofia segurou a patinha dele. “Então a gente vai te ajudar. Juntos a gente brilha mais!” O Pipoca latiu: “Au!”, que queria dizer sim.

Primeiro, eles tentaram uma corrida. “Um, dois, três... já!” Faísca galopou pela grama, pocotó, pocotó, e pulou bem alto... tchibum! Caiu direto na piscininha de plástico. A água espirrou para todo lado e molhou até o Pipoca, que sacudiu o pelo, frrrr! Faísca saiu pingando, e os chifres continuavam apagadinhos. “Não desiste, Faísca”, disse Sofia, enxugando a testa dele.

Depois, subiram no escorregador. “Lá de cima vai dar certo!”, disse Sofia. Mas um vento morno soprou, vuuush, e o Faísca tremeu inteirinho. “Está alto demais!” Ele escorregou de costas, ziiiiiip, e parou sentado na areia. O Pipoca veio correndo e deitou a cabeça no colo dele. Mesmo assim, os chifrinhos ficaram escuros, escuros como a noite.

Lá longe, o relógio da igreja tocou: blém, blém. “O trenó vai embora à meia-noite!”, choramingou Faísca. Uma lágrima grande rolou pelo focinho. “Ninguém vai notar que eu sumi. Eu estou sozinho.” Sofia sentiu um apertinho no peito. Ela olhou para o Pipoca, depois para o caderno amarelo embaixo do braço... e teve uma ideia.

Sofia sentou na grama, abriu o caderno e pegou os gizes. Rabisca daqui, colore dali: desenhou uma menina de pompons, um cachorro cor de creme e uma renazinha de chifres prateados, todos de mãos e patas dadas, dentro de um coração bem vermelho. Era o desenho mais bonito que ela já tinha feito. Então, ritch, arrancou a folha. “É seu, Faísca. Você não está sozinho. Você tem amigos.”

Faísca olhou o desenho bem demorado. Seu coração foi esquentando, esquentando... e, tlim!, a ponta de um chifre acendeu. Depois o outro! Uma luz prateada encheu o quintal inteiro. “Juntos a gente brilha mais!”, gritou Sofia, pulando. Faísca começou a flutuar, devagarinho, sem nem perceber. “Subam nas minhas costas!”, convidou ele. “Eu levo vocês até minha família!”

Lá foram eles, voando por cima dos telhados! As luzinhas de Natal da cidade piscavam lá embaixo, azuis, verdes e douradas. O vento cheirava a chuva e a rabanada. O Pipoca latia de alegria, com as orelhas balançando. Então, entre as nuvens, apareceu um brilho comprido: as renas grandes puxando o trenó! “Faísca! Faísca!”, chamaram elas. Ninguém tinha esquecido dele.

De volta ao quintal, Faísca encostou o focinho no rosto de Sofia. “Obrigado por ser minha amiga.” Ele desatou o sininho dourado da fita verde e colocou na mão dela. “Para você lembrar de mim.” Plim, plim! Depois, com o desenho guardado na fita e os chifres brilhando forte, subiu até as estrelas. “Juntos a gente brilha mais!”, disseram Sofia e Pipoca, acenando.

Na manhã de Natal, o sol entrou pela janela e o cheiro de biscoito voltou. Sofia pegou os gizes e desenhou uma renazinha voando entre as estrelas. Ao lado dela, brilhava o sininho dourado. O Pipoca deitou no seu pé, quentinho. “Fica paradinho, Pipoca!”, pediu ela. Ele abanou o rabo, lambeu seu nariz, e os dois riram. Juntos, a gente brilha mais.
