
Laura e a Dança dos Amigos
Laura e a Dança dos Amigos
Um livro feito para Laura
É aniversário da Laura, e tem bolo de chocolate, música e o gatinho Nino pulando pela sala. Mas, numa rua nova, onde ninguém a conhece, com quem ela vai dividir a festa? Uma aventura cheia de rodopios, corações voadores e um convite muito especial: o de fazer amigos.
Laura adorava três coisas no mundo inteiro: dançar, bolo de chocolate e o gatinho Nino. Toda manhã, ela ligava a música, tchum-tchum, e rodopiava pela sala, com a saia rodando feito flor. Nino pulava atrás, tentando pegar a barra do vestido. “Um pé aqui, um pé lá, gira, gira, vamos dançar!”, cantava Laura. E Nino respondia: “Miau!”

Mas aquele dia era diferente. Era o aniversário de Laura! Em cima da mesa, um bolo de chocolate redondo brilhava, cheio de granulado colorido, cheirando a domingo. Só que Laura tinha acabado de se mudar para uma rua nova, e ainda não conhecia ninguém. Ela suspirou: “Nino, um bolo grande assim é para dividir. Mas com quem?”

Laura pensou, pensou... e teve uma ideia. Pegou papel vermelho, tesoura sem ponta e giz de cera. Recortou um coração, dois, três, dez corações! Em cada um, desenhou um bolo e uma menina dançando. “São convites, Nino! Vamos entregar para a rua inteira!” Encheu uma cestinha, abriu a porta, nheeec, e saiu com o gatinho trotando ao seu lado.

Lá fora, a rua estava quietinha. As casas tinham portões coloridos e janelas fechadas. De repente... vuuuuush! Um vento forte e travesso soprou dentro da cestinha. Os corações voaram para cima, rodopiando no ar como borboletas vermelhas. “Meus convites!”, gritou Laura. E lá foram ela e Nino, correndo pela calçada, pé, pata, pé, pata, atrás dos corações fujões.

Os corações caíram bem no meio de uma poça. Splash! Laura se abaixou e pegou um por um. Estavam molhados, moles, com o giz de cera todo borrado. Nino tentou secar um com a patinha, mas só deixou uma marquinha de lama. Os olhos de Laura ficaram cheios d’água. “Agora ninguém vai entender meus convites”, ela sussurrou.

Só tinha sobrado um coração sequinho. Mas ele estava preso lá no alto, no galho de uma árvore enorme na pracinha. Laura pulou uma vez. Pulou duas. Pulou três! Não alcançava. Nino miou baixinho e esfregou a cabeça na perna dela. Laura olhou para o caminho de casa. Talvez fosse melhor voltar e comer o bolo sozinha...

Então Laura olhou para Nino, que balançava o rabo como se dissesse: “E agora?” E ela lembrou: quando dançava, Nino sempre vinha correndo. “Já sei! Se os convites não funcionam, eu convido dançando!” Laura respirou fundo, ficou no meio da pracinha e começou a girar. “Um pé aqui, um pé lá, gira, gira, vamos dançar!”

Tap, tap, tap, faziam os tênis prateados na calçada. A saia rodava, Nino saltitava. Aí, uma janela se abriu, créc! Um menino de boné verde espiou lá de dentro, batendo o pé no ritmo. Depois, um portão rangeu, nhec! Uma menina de cabelo cacheado saiu, curiosa. “Que dança é essa?”, perguntou ela, sorrindo.

A menina se chamava Bia, e o menino, que veio correndo logo atrás, era o Theo. “Eu não sei dançar”, disse Theo, vermelho. Laura estendeu a mão. “Eu te ensino! É fácil!” E os três deram as mãos, rodando em roda, rindo alto. Até Nino corria em círculos atrás do próprio rabo. “Um pé aqui, um pé lá, gira, gira, vamos dançar!”

Quando pararam, sem fôlego, Laura contou: “Hoje é meu aniversário! E tem bolo de chocolate lá em casa. Vocês querem vir?” “Ebaaa!”, gritaram os dois. Antes de irem, Theo subiu no banco da praça, ficou na pontinha dos pés e, hop!, alcançou o último coração no galho. “Esse é seu”, disse ele. Laura sorriu: “É nosso.”

Na sala, as cinco velinhas brilhavam em cima do bolo. Bia e Theo cantaram parabéns tão alto que Nino até miou junto. Laura fechou os olhos para fazer um pedido... e percebeu que nem precisava. O pedido já tinha se realizado. Fuuuu! Apagou as velas. O bolo estava macio, docinho, e deixou bigodes de chocolate em todo mundo.

Mais tarde, quando o céu ficou cor de laranja, os amigos voltaram para casa, prometendo dançar amanhã de novo. Laura colou o coração sequinho na parede da sala. Depois ligou a música, tchum-tchum, e rodopiou com Nino, feliz da vida. “Um pé aqui, um pé lá, gira, gira, vamos dançar!” E Nino respondeu, como sempre: “Miau!”
